Newsletter
| Verde em Liquidação |
|
|
|
|
Vinicius Sassine - Correio Braziliense
O Governo brasileiro troca o perdão de uma dívida de US$ 21 bilhões por uma cadeira para os EUA na mesa de decisões a respeito dos biomas brasileiros. Americanos já usaram a mesma estratégia em países como Bangladesh, Guatemala e Botsuana. O mecanismo encontrado pelos Estados Unidos para acompanhar de perto biomas megadiversos — e para ter acesso a informações privilegiadas desses biomas — chegou com pompa ao Brasil. O governo norte-americano decidiu perdoar uma dívida do governo brasileiro de US$ 21 milhões (R$ 37,1 milhões), dinheiro que deverá ser depositado em um fundo voltado para projetos de conservação da biodiversidade na Mata Atlântica, no cerrado e na caatinga. Ao abrir mão de uma dívida contraída pelo Brasil há quase 50 anos, insignificante para o Tesouro norte-americano, os Estados Unidos passam a fazer parte das decisões sobre o destino dos três biomas brasileiros. Os americanos já estão no centro das decisões sobre a conservação dos biomas em mais de 13 países (leia lista ao lado). Endividados, com compromissos financeiros que dificilmente seriam pagos aos EUA, esses países aceitam a interferência americana nos comitês formados para gerir os recursos e para administrar os projetos de conservação da biodiversidade. É o caso do acordo assinado ontem entre Brasil e Estados Unidos. O dinheiro da dívida, que não será mais paga aos norte-americanos, deve ser gasto com projetos fora da Amazônia. Primeiro serão beneficiadas propostas de conservação e uso sustentável na Mata Atlântica. Depois, será a vez de cerrado e caatinga. O governo dos Estados Unidos terá um dos quatro representantes governamentais no comitê criado para avaliar os projetos para os três biomas. Pelo Brasil, serão indicados um representante do Ministério do Meio Ambiente (MMA), um do Ministério da Fazenda e outro do Itamaraty. Ainda serão nomeados mais cinco membros da sociedade civil brasileira. O Correio apurou que, por trás da questão ambiental, há interesses de mercado dos norte-americanos para fora dos limites da Amazônia. Os Estados Unidos têm empresas que dominam o manejo florestal e poderiam, por exemplo, exportar tecnologia e serviços para um projeto de restauração na Mata Atlântica. Dificuldades A Usaid é um órgão independente do governo federal dos Estados Unidos e desenvolve, em diferentes partes do mundo, programas de “assistência econômica e humanitária”. No Brasil, na área de meio ambiente, só há projetos na Região Norte. Dos dez projetos tocados ali, oito se referem a empreendimentos florestais, produção sustentável e populações indígenas. Já nas outras quatro regiões brasileiras, os projetos são exclusivamente na área de saúde. Cem vezes “O nosso interesse é diminuir o desmatamento, preservar espécies ameaçadas e propiciar atividades sustentáveis para comunidades locais”, argumenta a encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Lisa Kubiske, que assinou o acordo pelo país. “Meio ambiente é algo que afeta o mundo inteiro e há benefícios em vários aspectos, econômicos e ambientais.” Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o acordo é um “momento de festa”. “Ampliamos os instrumentos financeiros de conservação da biodiversidade.” O primeiro desembolso, de US$ 6,7 milhões (R$ 11,8 milhões), deve ser feito em outubro. Uma cláusula do acordo prevê que, “em circunstâncias excepcionais”, o governo brasileiro pode estar entre os beneficiários dos recursos para projetos ambientais. |


